Você já fez sua reserva de emergência?

Autora: Cristina Prates Maturano

Sempre se falou sobre a importância de ter uma reserva de emergência, mas muitos ainda têm dificuldade de lidar com isso e montar a sua. Em pesquisa realizada pela Anbima*, descobriu-se que 52% dos brasileiros não têm um recurso separado para as dificuldades.

Porém, se alguém tinha dúvidas de que imprevistos acontecem, a pandemia deixou claro que isso existe e pode atingir a todos por um período difícil de prever.

Ter uma reserva de emergência nos ajuda a atravessar momentos difíceis (uma doença grave, a perda do emprego, etc) com mais tranquilidade sem contrair novas dívidas e pagar juros abusivos. Estando mais calmos, será possível enxergar melhor a situação e tomar decisões mais acertadas.

Na maioria das vezes pensamos na reserva de emergência apenas para os momentos de stress, mas ela também pode ser um aliado importante para momentos positivos, como por exemplo, uma transição de carreira onde num primeiro momento poderá haver redução de renda com perspectivas de melhores ganhos futuros.

Como montar sua reserva de emergência?

Para começar é importante saber quais são suas principais despesas mensais. Quanto você precisa ter para conseguir viver? No momento de crise é natural haver uma redução de gastos, especialmente os supérfluos, e por isso se deve considerar itens prioritários como moradia, alimentação, saúde e educação.

Uma vez que você sabe quais são suas despesas, você poderá começar a juntar recursos. Havia um consenso de que para um funcionário CLT, ter o equivalente à 6 meses de despesas era suficiente para uma reserva de emergência e no caso de autônomos ou pequenos empresários, 12 meses seria o adequado para o profissional se recolocar no mercado e/ou encontrar uma alternativa para recompor sua renda mensal. No caso do CLT, como na demissão há o recebimento das verbas rescisórias, esse montante ajudará a compor o total de reserva de emergência.

Entretanto, no período da pandemia, até as verbas rescisórias foram parceladas em muitas empresas pois o momento era difícil para todos, inclusive para os empregadores. Com isso, o mais recomendável seria compor um reserva de emergência de no mínimo 12 meses para todos os casos, sendo muito confortável chegar a ter 18 meses.

Como construir essa reserva se muitas vezes o que temos de renda mal cobre o total das despesas? Isso envolve planejamento e priorização.

É claro que o ideal seria acumular esse recurso o quanto antes, pois nunca se sabe quando o imprevisto irá acontecer. Pior do que levar um tempo para atingir esse objetivo, é não fazer nada. O mais importante é ter disciplina e encontrar soluções para fazer “sobrar” o dinheiro todo mês para guardar e usar quando for necessário.

Assim se você precisar de um período maior para montar sua reserva, o seu desafio será priorizá-la em seu planejamento mensal. Isso tem que ser uma meta assim como qualquer outra coisa importante na sua vida financeira, como por exemplo, comprar um imóvel ou fazer uma viagem. É possível que você tenha que abrir mão de alguma despesa por um período e até separar um pedaço do 13º ou das férias. O importante é manter o foco em construir uma segurança para atravessar momentos mais difíceis. 

Onde aplicar?

Uma vez que você começou a acumular recursos, está na hora de definir onde você irá aplicá-los.  Devido a finalidade da reserva de emergência, você precisa se preocupar em colocar esse recurso em produtos financeiros que te tragam segurança, rentabilidade mínima para cobrir a inflação e que tenham liquidez. Ou seja, no momento do stress você precisa ter acesso rápido a esse recurso.

O mercado financeiro dispõe de uma variedade de produtos que podem atendê-lo, mas algumas  opções é aplicar em CDB (Certificado de Depósito Bancário), em títulos do Tesouro (Tesouro Direto) ou em Fundos de Investimentos de Renda Fixa. Esses produtos possuem rentabilidade superior à da Poupança, são seguros e possuem liquidez imediata. 

Não há coisa melhor do que no momento de stress financeiro você ter uma reserva para trazer um pouco de calma e permitir tomar as decisões da forma correta.

*ANBIMA: Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais

Sobre a autora: Cristina é voluntária da Bem Gasto e trabalha na área financeira. Como hobby ela adora viajar e fotografar.

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